Olhamos pro lado, vemos pessoas, olhamos pra baixo, pra
cima, pra gente e continuamos vendo pessoas. Há pessoas em todo lugar e por que
isso nos deveria importar? O que tem elas de tão importante assim? É a partir
deste momento, que nos questionamos o por que é importante, é que se é
respondido, vemos pessoas quando na verdade deveríamos ver humanos.
Uma bala, um grito, pronto, fim da vida. É justo tirar vida
de pessoas? Mas e se na verdade a vida daquela que atira já lhe foi tirada a
muito tempo? Até que ponto um corpo sem vida é permitido de tirar a vida que
habita outro corpo? Vemos pessoas quando na verdade deveríamos ver humanos.
É política, é vídeo game, nada disso, é a vida que lhe foi
roubada antes mesmo da morte, é a guerra que está sendo vivida e ninguém lembra.
Vemos filmes de guerra, nos emocionamos, vemos as notícias, mais de mil mortos,
de canal trocamos. É fácil trocar de canal, difícil é trocar de país. É fácil ter
medo de uma guerra à vários quilômetros, é assustador quando ameaçam sua
faculdade. É fácil ter medo de uma ameaça, é difícil ter medo de ir na escola,
sair de casa, que invadam sua própria casa e lhe tirem a vida. Além disso, é fácil
dizer que devemos ser humanitários, quando os imigrantes pedem auxilio para
entrar, e temos medo de perder nossos empregos, vemos pessoas quando na verdade
deveríamos ver humanos.
Quanto vale uma pessoa? Quanto vale um humano? Quanto vale a
vida? As vezes milhões, centavos, uma discussão, uma negação ao seu direito básico.
Até que ponto chegamos? Não questionamos nada, não nos movemos para ajudar. Uma
ameaça é feita, um prédio é isolado com seguranças armados. Uma matança é
feita, suicídio leva a melhor. Quando vamos parar de tratar violência com violência?
Colocar profissionais da saúde mental na porta destes prédios? Educadores
capacitados para o bem-estar? Um auxílio para a família? Tomar uma atitude de recepção,
de acolhimento para aquele que mais o necessita. Vemos pessoas quando deveríamos
ver humanos. Tornamos humanos em pessoas, quando deveria ser o contrário.
Questionamos seus atos, quando na verdade, deveríamos questionarmos a nós
mesmos e como contribuímos para aquilo. É fácil culpar uma pessoa, a vida dela
nada vale, é difícil ver o erro de milhões de humanos. Vemos pessoas quando deveríamos
ver humanos.
Caso alguém que leia precise deste acolhimento, estarei de portas abertas, as vezes uma palavra amiga é o que mais precisamos.
Malu Cabral